A luta antimanicomial e as pessoas com deficiência

O dia 18 de maio é marcado pela comemoração da luta antimanicomial no Brasil. Um movimento que teve início com o incômodo de algumas pessoas em relação ao tratamento na saúde mental em nosso país. Teve como inspiração o italiano Franco Basaglia que iniciou uma nova maneira de tratamento da saúde mental em seu país.

Mas por que vamos falar disso hoje? Essa é uma página voltada às pessoas com deficiência, o que isso tem a ver com a gente? Tem MUITO. Vamos explicar.

Houve uma época que todas as pessoas consideradas “desviantes” eram segregadas em hospitais psiquiátricos, não apenas pacientes com sofrimento mental, mas também os homossexuais, mulheres que engravidavam antes de casar, e claro que as pessoas com deficiência também se enquadravam nessa característica, não apenas as com deficiência intelectual, mas também deficiências físicas. Essas pessoas eram internadas nesses hospitais, para serem “curadas”.

Durante muito tempo essa prática foi usada para esconder da sociedade todos que eram considerados vergonha para as famílias. Os hospitais psiquiátricos tinham a função social de isolar essas pessoas como se fossem um depósito daqueles que não eram desejados no convívio diário.

Essas pessoas viviam um cotidiano de negligência e abandono, tratadas de forma desumana, num ambiente de dar nojo, onde as relações eram frias e as pessoas eram tratadas como animais. Ao ponto de ser comparado com um campo de concentração por Basaglia em uma visita ao Brasil no final dos anos 1970.

Essa luta garantiu a reforma psiquiátrica, uma proposta de transformação na condução do tratamento da pessoa com sofrimento mental. Hoje, os CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) são um exemplo dessa nova maneira de trabalhar a saúde mental.

Em relação às pessoas com deficiência, como consequência de lutas de pessoas envolvidas e sensibilizadas com a causa, também hoje temos uma maneira diferente de lidar com elas. Vários avanços podem ser percebidos em relação a esse processo. Pois se um dia foram isoladas em hospitais psiquiátricos junto a tantos outros casos, hoje elas estão inseridas na sociedade.

A luta para que essas pessoas não sejam institucionalizadas foi vencida por pessoas como as que lutavam no processo antimanicomial. Hoje, vivemos outras lutas ainda, como pela inclusão real nas escolas regulares. Mas hoje podemos ver essas pessoas tendo possibilidades de serem cidadãos de verdade, recebendo um tratamento digno e humanizado, num modelo que considera a importância do convívio em sociedade e da participação da família na vida do indivíduo graças a essa e tantas outras lutas. Deixando de ser anônimas e vivendo em melhores condições e com qualidade de vida.

About Lídia Lopes

Inconformada com o preconceito e com uma educação não inclusiva tenta todos os dias fazer algo para que isso seja diferente. Mais que um valor moral, tornou isso sua profissão. Apaixonada por educação e inclusão. Sonha em viajar o mundo e num mundo que não seja mais preciso falar em inclusão, pois a inclusão pressupõe a exclusão.