Educação especial x Educação inclusiva

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Hoje resolvi escrever um post sobre um assunto que muitos me questionam: Educação especial e Educação Inclusiva. Muitas são as dúvidas que envolvem esse assunto e para clarear um pouco essa questão irei abordar os pontos que considero mais importantes para uma primeira discussão sobre o tema. Decidi fazer um texto por tópicos com as dúvidas mais frequentes. Vem comigo? O que é melhor para o meu filho?

Qual a diferença entre as duas?

Pra começar nosso papo quero diferenciar aqui educação especial de educação inclusiva. A educação especial é aquela feita em escolas especiais, em escolas que trabalham especificamente com pessoas com deficiência, como as APAES, por exemplo. Nessas instituições as crianças irão conviver quase que em sua maioria apenas com outras crianças com deficiências. Pode acontecer também dentro da escola regular, um atendimento especializado voltado às necessidades individuais de cada um, como o trabalho realizado nas salas de AEE (Atendimento Educacional Especializado), por exemplo.

Já a educação inclusiva é quando todo o processo de ensino e aprendizagem e todas as atividades desenvolvidas no contexto escolar se dão de forma conjunta, tanto das PCDs como das outras crianças. É um processo não apenas de escolarizar a criança com deficiência junto com as outras crianças, mas de promover a inclusão dessas crianças na sociedade como um todo, dando a ela oportunidades semelhantes às de crianças com desenvolvimento típico.

O que a legislação diz a respeito?

Apesar de ser um processo recente, não é de hoje que a educação inclusiva está em pauta. Desde a primeira lei de diretrizes e bases da educação de 1961 é abordada essa questão quando se diz que o ensino das pessoas com deficiência deve ocorrer preferencialmente na rede regular de ensino. A Constituição de 1988 também aborda essa questão e traz em vários artigos uma “forcinha” para a educação inclusiva. Várias outras legislações foram publicadas além dessas, faremos um post só sobre as legislações para não estendermos aqui, ok? Mas qual a mais importante? Cada uma tem sua importância e não há como responder essa questão pois todo o ganho que tivemos até agora foi um pouco reflexo de cada uma delas, mas se tivermos que citar uma delas nesse momento, escolhemos o que temos de mais recente (num sentido mais amplo) que é a Lei da Inclusão, a 13.146, que está em vigor desde janeiro de 2016. Ela contém um capítulo inteiro falando sobre a educação das PCDs, vale a pena conferir!

Mas a escola comum funciona para a PCD?

Com certeza! Hoje também não há como negar a importância da educação inclusiva. Desde a década de 1920 Vigotski já defendia a educação inclusiva. Para esse importante pensador da educação, conviver com outras crianças de níveis de desenvolvimento diferente do seu gera muitos benefícios e ganhos para o desenvolvimento. Além de gerar muitos outros benefícios para as crianças como autonomia e independência, qualidade de vida entre vários outros.

Mas as outras crianças não saem prejudicadas?

Definitivamente, não! Várias são as pesquisas que apontam para os benefícios dessa inclusão, não apenas para as pessoas com deficiência, mas também para as outras crianças e profissionais que terão contato com elas. É importante dizer que um dos principais aspectos considerados é a questão social. Conviver com o diferente desde bem cedo e aprender a respeitar as diferenças tornará essas crianças adultos menos preconceituosos e mais responsáveis com a inclusão. Temos que pensar que essas crianças é que serão os engenheiros do nosso país daqui uns anos e são eles que irão projetar os prédios que serão construídos. Imagina se tudo o que for construído a partir de agora já for pensado de forma acessível? Quanto isso não facilitaria a vida das PcDs e dos que convivem com eles?  Imagina como seria mais fácil se houvesse mais médicos especializados em determinadas síndromes e deficiências, se os pais de crianças com Síndrome de Down, por exemplo, pudessem ter acesso a pediatras referência não apenas em grandes centros como São Paulo, mas em qualquer cidade do nosso país.

Penso também que a educação inclusiva é a oportunidade que as crianças tem de conviver umas com as outras, aprender sobre o outro, respeitar o diferente e perceber que essa convivência é possível, que as pessoas não precisam ter medo das PcDs. Além de ser uma excelente oportunidade para desmistificar vários dos conceitos estabelecidos culturalmente sobre determinada deficiência e sobre como lidar com o diferente.

Então todo mundo sai ganhando?

Sim! Costumo dizer que sonho com um mundo que não seja preciso falar em inclusão, pois falar sobre a inclusão pressupõe a exclusão. Acredito que a educação inclusiva é um start pra esse mundo. Tenho esperança que essa geração de crianças que participa da educação inclusiva se torne uma geração de adultos bem diferentes daqueles que não tiveram esse privilégio.

Então eu não devo procurar a educação especial?

Quero deixar bem claro aqui que não há como negar a importância da educação especial. Seria muito injusto da minha parte não dizer sobre o quanto a educação especial foi e é importante na história da educação das PcDs. No Brasil, a primeira instituição de educação especial foi criada ainda no Brasil Império, em 1854, o Imperial Instituto dos Meninos Cegos, atual Instituto Benjamin Constant – IBC, e em 1857, o Instituto dos Surdos Mudos, hoje Instituto Nacional da Educação dos Surdos – INES, ambos no Rio de Janeiro. Só em 1926 é que foi criado o Instituto Pestalozzi, instituição especializada no atendimento às pessoas com deficiência intelectual. Foi em instituições de educação especial que as PcDs começaram a ter real acesso a uma educação voltada pra elas, com foco em suas peculiaridades e dificuldades. E foi dando continuidade a esse caminho que a educação inclusiva passou a ser pensada e aos trancos e barrancos, executada.

Consideramos de extrema importância o trabalho realizado nas escolas especiais, mas como trabalho complementar e suplementar com a criança, não como processo único de escolarização. A melhor maneira seria um trabalho em conjunto, a educação especial realizando o atendimento especializado e dando suporte a escola regular focando o desenvolvimento do indivíduo, que é único e precisa ser visto como tal.

Se você ainda tem dúvidas sobre matricular seu filho na escola especial ou na escola regular, vale a pena pensar com carinho e procurar ajuda de profissionais qualificados que possam te orientar nessa decisão. Nós da L2 Psicologia e Inclusão acreditamos que a inclusão deve acontecer e que a escola é um dos meios disso acontecer, talvez o mais importante. Lembrando sempre que cada caso é um caso, podemos analisar o seu caso especificamente e te ajudar a tomar a melhor decisão para o seu filho, procure a gente!

About Lídia Lopes

Inconformada com o preconceito e com uma educação não inclusiva tenta todos os dias fazer algo para que isso seja diferente. Mais que um valor moral, tornou isso sua profissão. Apaixonada por educação e inclusão. Sonha em viajar o mundo e num mundo que não seja mais preciso falar em inclusão, pois a inclusão pressupõe a exclusão.

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