Desenho Universal da Aprendizagem

No centro da imagem está escrito: desenho universal da aprendizagem e ao redor forma uma moldura com materiais escolares

Você já ouviu falar sobre Desenho universal da Aprendizagem (DUA)?

Esse conceito é relativamente novo no Brasil. O termo teve origem no conceito da arquitetura de desenho universal, já falamos sobre ele lá no facebook, lembra? Na arquitetura o termo se refere à produção de espaços e recursos que atendam o maior número de pessoas possível.  O Decreto 5296 de 2004 conceitua desenho universal e a LBI também reforça o conceito de uma concepção que atende simultaneamente todas as pessoas, ou seja, independentemente de sua deficiência ou características físicas, o espaço atenderá.

Um dos motivos dessa proposta na arquitetura é diminuir os estigmas, para que não haja diferenciação que gere segregação e exclusão. Você já deve ter visto o “banheiro das PcDs” e também “aquele bebedouro que é para PcDs”. Então, a ideia é que não existam essas diferenciações e o ambiente seja visto como possível de ser utilizado por qualquer pessoa.

A transferência desse conceito para a educação tem a mesma intenção. A ideia do uso do conceito para o contexto da aprendizagem surgiu no CAST (Center for Applied Special Technology) em Boston, EUA, no ano de 1984. Mas o uso do termo Universal Design for Learning, traduzido para o português como Desenho Universal da Aprendizagem (DUA), é de 1990.

Anne Mayer e David Rose são os autores da ideia e são pesquisadores na área de educação já há muito tempo. Em 2002 os autores descreveram o DUA como “um conjunto de princípios baseados na pesquisa e constitui um modelo prático para maximizar as oportunidades de aprendizagem para todos os estudantes

O significado prático

É fácil perceber como o nosso sistema de ensino é altamente visual e verbal. Utiliza-se basicamente o quadro para escrever, livros impressos como referência, exposições orais e, às vezes, projeções com apresentações de slides. Mas será que esses recursos são adequados para todos os estudantes? Será que só com isso eles conseguem absorver as informações?

O que o DUA propõe é utilizar recursos que sirvam para todos os estudantes. Um exemplo disso seria o uso de diferentes estímulos sensoriais, pois são estes estímulos que irão disparar as sinapses e cada estímulo “interfere” na área correspondente no cérebro. No trabalho com crianças com deficiência é proposto que cada uma das diversidades funcionais seja estimulada de uma maneira diferente. No caso da síndrome de Down, por exemplo, trabalhar com recursos visuais e táteis, principalmente de texturas diferentes é uma maneira de atingir melhores resultados no desenvolvimento. Já no caso de TDA, que é mais reativo a estímulos, uma sala com menos estímulos para ele, irá contribuir para que ele não se distraia tanto. Para cegos, recursos táteis são indispensáveis, para surdos, os recursos visuais e assim por diante. Para abarcar uma sala com tanta diversidade o uso de recursos didáticos que atingem diferentes estímulos sensoriais dará um sucesso maior para o aprendizado dos estudantes. E, usar os mesmos estímulos para quem tem desenvolvimento típico vai melhorar o desempenho deles também! Não é porque uma pessoa consegue absorver o conteúdo só ouvindo que ele não terá ganhos também sentindo as texturas, estudando em um ambiente que favoreça o foco e poder sentir as informações com as mãos. Tudo isso é útil para todos os alunos!

Nas salas de AEE (Atendimento Educacional Especializado) por exemplo, são produzidos recursos para facilitar o ensino da pessoa com deficiência, esses recursos podem e devem ser usados na sala de aula regular e não apenas especificamente para quem foram desenvolvidos, mas para a sala de uma maneira geral. Essa é uma forma não só de melhorar o desenvolvimento de todos os alunos como também de justificar cada vez mais a sala de AEE! Ela é um recurso tão importante que todos os alunos merecem desfrutar dos seus frutos!

Costumo dizer que professor é um ser bastante criativo, se já não era antes de começar a dar aulas, vai se tornando aos poucos, pois a realidade da sala de aula exige bastante disso. Com as crianças com deficiência não é diferente. Mas não se preocupe, se você não conseguir pensar em um recurso adequado, nós podemos te ajudar. Entre em contato com a gente!

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About Lídia Lopes

Inconformada com o preconceito e com uma educação não inclusiva tenta todos os dias fazer algo para que isso seja diferente. Mais que um valor moral, tornou isso sua profissão. Apaixonada por educação e inclusão. Sonha em viajar o mundo e num mundo que não seja mais preciso falar em inclusão, pois a inclusão pressupõe a exclusão.

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